CONTROVÉRSIAS NA CONSTITUIÇÃO DAS RESIDÊNCIAS MULTIPROFISSIONAIS EM SAÚDE NO BRASIL: ANÁLISE DE DOCUMENTOS PÚBLICOS
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.15770162Palavras-chave:
Educação profissionalizante, Educação interprofissional, Residência Multiprofissional, Residência em SaúdeResumo
Este artigo aborda as controvérsias nos diálogos e debates sobre a Residência Multiprofissional em Saúde. Foram produzidos caminhos entre distintos materiais, vozes, experiências, lugares, saberes e práticas compartilhadas em torno de experiências junto às Residências Multiprofissionais, com o objetivo de compreender os diferentes discursos e controvérsias responsáveis pela fabricação desses programas no Brasil. A pesquisa se baseia no construcionismo social e nas práticas discursivas e produção de sentidos. Foi realizada utilizando materiais de fóruns, cartas, documentos públicos que constituem o cotidiano e o institucionalizado das Residências Multiprofissionais em Saúde, além de diários de campo construídos pela pesquisadora principal deste trabalho. As posições dos/as diferentes sujeitos/as se evidenciaram para mostrar que os interesses em torno das Residências são diversos. O funcionamento dos programas é fortemente marcado por relações de poder e interesses em constante disputa e as narrativas denunciam a precarização das Residências Multiprofissionais ao longo dos anos, evidenciando que os modos de construir as práticas nos territórios das Residências não estão sendo respeitados. A política do Programa ReFORÇA Brasil aponta para retrocessos tanto em forma, quanto em conteúdo para o efetivo funcionamento das Residências em Saúde.
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