EFEITO DA SIMULAÇÃO CLÍNICA NO DESEMPENHO COGNITIVO E NA AUTOCONFIANÇA DE ESTUDANTES DE MEDICINA
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.15988619Palavras-chave:
Educação Médica, Treinamento por Simulação, Emergências, Reanimação CardiopulmonarResumo
A simulação clínica pode ser utilizada para o ensino de diversas habilidades técnicas e não técnicas e em diferentes contextos no ensino em saúde. O objetivo do trabalho foi identificar o efeito da simulação clínica no desempenho cognitivo imediato e na autoconfiança de estudantes de medicina acerca da atuação nas emergências de Suporte Básico de Vida no contexto da Atenção Primária à Saúde. Estudo do tipo ensaio clínico randomizado. O estudo foi realizado com 38 estudantes do curso de graduação em medicina. O grupo controle teve acesso a uma aula expositiva e dialogada com demonstração de habilidade. O grupo experimental teve acesso a uma sessão de simulação com seis cenários. Além da caracterização sociodemográfica, os estudantes responderam a um teste de conhecimento específico e a uma escala de autoconfiança em emergência, em dois momentos, a saber: pré-teste e pós-teste imediato. Na análise intragrupo, as médias de desempenho cognitivo nos grupos controle e experimental foram significativamente maiores no pós-teste (p-0,000). No que diz respeito à análise intergrupos, não foi observada diferença de médias de desempenho cognitivo entre os grupos controle e experimental nos dois momentos de observação. Em uma análise global, os níveis de autoconfiança em emergência no grupo experimental foram significativamente maiores no pós-teste em relação ao grupo controle (p-valor = 0,035). A literatura aponta que profissionais mais confiantes são mais autoeficazes. A aprendizagem a partir da simulação clínica conferiu maiores scores de autoconfiança em emergências.
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