Gestos e Toques em Tela na aprendizagem matemática movimentos epistêmicos na resolução de problemas de combinação no âmbito das Estruturas Multiplicativas
Conteúdo do artigo principal
Resumo
As discussões desenvolvidas neste trabalho partem do entendimento de que o desenvolvimento de abstrações matemáticas está profundamente vinculado a experiências corporais, reconhecendo o compreender e o pensar como processos ancorados em ações perceptivo-motoras. À luz dessa perspectiva, este artigo tem como objetivo analisar movimentos epistêmicos mobilizados por estudantes no processo de resolução de problemas de estruturas multiplicativas, tomando como base a análise de gestos e toques em tela. O estudo foi realizado com quatro alunos do 4º ano do Ensino Fundamental, pertencentes a uma Escola Municipal de Educação Básica de Tempo Integral (EMEBTI), localizada no município de Vargem Alta – ES, e fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, orientada por procedimentos de análise interpretativa. Os movimentos epistêmicos emergiram das interações sociais estabelecidas no contexto da história “Os Dadinhos Coloridos” e foram sistematizados e examinados a partir da Representação Esquemática Multimodal de Análise de Dados (REMAD). Os resultados interpretativos evidenciaram que os movimentos gestuais e toques em tela desempenharam papel significativo na resolução das situações matemáticas da história, ao expressarem ações epistêmicas de coletar e conectar, contribuindo para o estabelecimento de relações de conexões em atos combinatórios, por meio de ações de comunicação, ligação, associação e junção das peças. Nesse sentido, os dados deixam explícito que os gestos e toques em tela também podem indicar, visualizar ou concretizar relações combinatórias nos estudos de multiplicação. Essas evidências reforçam o papel do corpo como elemento fundamental no processo de produção de conhecimento matemáticos, mostrando que cérebro e corpo agem conjuntamente na constituição da mente humana.
Downloads
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Uma nova publicação de artigo anteriormente publicado na Revista Baiana de Educação Matemática, fica sujeita à expressa menção da precedência de sua publicação neste periódico, seguindo as normas de referência. Autores que publicam na RBEM concordam com os seguintes termos:
-
O Conselho Editorial se reserva ao direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, sintática, ortográfica e bibliográfica com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. As provas finais poderão ou não ser enviadas aos autores.
-
Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (CC BY-NC-SA).
-
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista, exemplo: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro, com reconhecimento de autoria e publicação inicial na RBEM.
-
Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online — em repositórios institucionais, página pessoal, rede social ou demais sites de divulgação científica.
Referências
ALIBALI, M. W.; NATHAN, M. J. Embodiment in Mathematics Teaching and Learning: Evidence from Learners' and Teachers' Gestures. Journal of the Learning Sciences, v. 21, n. 2, p. 247-286, 2012.
ALTOÉ, R. O; FREITAS, R. C. de O. Histórias para Multiplicar e Dividir: ensinando e aprendendo com tablet - Livro do Professor. 1. ed. Vitória: Edifes Acadêmico, 2024.
ARZARELLO, F. et al. Gestures as semiotic resources in the mathematics classroom. Educational Studies in Mathematics, v. 70, p. 97–109, 2009.
ARZARELLO, F.; ROBUTTI, O. Multimodality in multi-representational environments. ZDM - Mathematics Education, Hamburg, v. 42, n. 7, p. 715-731, 2010. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11858-010-0288-z. Acesso em: 20 nov. 2021.
BAIRRAL, M. A. As manipulações em tela compondo a dimensão corporificada da cognição matemática. Jornal Internacional de Estudos em Educação Matemática (JIEEM), v. 10, n. 2. p. 99-106, 2017. Disponível em: <https://jieem.pgsscogna.com.br/jieem/article/view/5509>. Acesso em: 18 dez. 2024.
BAIRRAL, M. A. Dimensões a considerar na pesquisa com dispositivos móveis. Estudos Avançados, vol. 32, nº 94, 2018, p. 81-95.
BAIRRAL, M. A. Do clique ao touchscreen: novas formas de interação e de aprendizado matemático. In: REUNIÃO NACIONAL DA ANPEd, 36., 2013. Anais eletrônicos... Rio de Janeiro: ANPEd, 2013, [18] p.
BAIRRAL, M. Tecnologias móveis, neurocognição e aprendizagem matemática. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2021.
BAIRRAL, M.; ASSIS, A. R.; SILVA, B. C. D. Mãos em ação em dispositivos touchscreen na educação matemática. Seropédica: Edur UFRRJ, 2015. 73 p. 7 v.
BARSALOU, L. W. Grounded cognition: past, present, and future. Topics in cognitive science, Bethesda, MD, v. 2, n. 4, p. 716–724, 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1756-8765.2010.01115.x. Acesso em: 20 nov. 2021.
BIKNER-AHSBAHS, A. Semiotic sequence analysis - constructing epistemic types empirically. In: NOVOTNÁ et al. (Eds). Proceedings of the 30th conference of the International Group for the Psychology of Mathematics Education, vol. 2, p. 161-168, Prague: PME, 2006. Disponível em: https://www.igpme.org/publications/current-proceedings/. Acesso em: 18 dez. 2024.
BOALER, J. et al. Seeing as understanding: the importance of visual mathematics for our brain and learning. Journal of Applied & Computational Mathematics, Bruxelas, v. 5, n. 5, p. 1-6, 2016. Disponível em: https://www.hilarispublisher.com/open-access/seeing-as-understanding-the-importance-of-visual-mathematics-for-our-brain-and-learning-2168-9679-1000325.pdf. Acesso em: 18 dez. 2024.
CASTRO-FILHO, J. A. de et al. Das tabuletas aos tablets: tecnologias e aprendizagem da matemática. In: CASTRO-FILHO, J. A. de et al. Matemática, cultura e tecnologia: perspectivas internacionais. 1. ed. Curitiba, PR: CRV, 2016, p. 13-34.
DAMÁSIO, A. O erro de descartes: emoção, razão e o cérebro humano. Tradução de D. Vicente & G. Segurado. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2012.
DREYFUS, T. et al. The Epistemic Role of Gestures: a Case Study on Networking of APC and AiC. In: A. BIKNER-AHSBAHS, A.; PREDIGER, S. (Eds.). Networking of Theories as a Research Practice in Mathematics Education. New York: Springer, [s.n], p. 127-152, 2014.
EDWARDS, L. D. Embodied cognitivas science and mathematics. In: UBUZ, B. (Ed). Proceedings of the 35th Conference of the International Group for the Psychology of Mathematics Education, vol. 2, p. 297-304, Ankara, Turkey: PME, 2011. Disponível em: <https://www.igpme.org/publications/current-proceedings/>. Acesso em: 18 dez. 2024.
FREITAS, E. de; SINCLAIR, N. Mathematics and the body: material entanglements in the classroom. Cambridge, GB: Cambridge University Press, 2014.
FREITAS, R. C. de O. Imagens, movimentos e dedos das mãos: experiências aritméticas com o aplicativo Multibase em tablets. In: ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA (ENEM), 13. Anais eletrônicos do XIII Encontro Nacional de Educação Matemática. Cuiabá: UNEMAT, 2019, [15] p. Disponível em: <https://www.sbembrasil.org.br/sbembrasil/index.php/anais/enem>. Acesso em: 18 dez. 2024.
FREITAS, R. C. de O. Um ambiente para operações virtuais com o material dourado. 2004. 189 f. Dissertação (Mestrado em Informática) – Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2004.
FREITAS, R. C. O.; BAIRRAL, M. O pensamento matemático mediante gestos e toques em tela no aplicativo Multibase em tablets, Bolema, v. 37, n. 75, p. 49-69, 2023. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/bolema/a/53JywrVBwd5vFpRK7kXDbbh/>. Acesso em: 18 dez. 2024.
GEROFSKY, S. Making sense of the multiple meanings of ‘embodied mathematics learning’. In: OESTERLE, S. et al. (Eds). Proceedings of the 38th Conference of the International Group for the Psychology of Mathematics Education, vol. 3, p. 145-152, Vancouver, Canada: PME, 2014. Disponível em: <https://www.pmena.org/pmenaproceedings/PMENA%2036%20PME%2038%202014%20Proceedings%20Vol%201.pdf>. Acesso em: 18 dez. 2024.
HERSHKOWITZ, R.; SCHWARZ, B. B.; DREYFUS, T. Abstraction in Context: Epistemic Actions. Journal for Research in Mathematics Education, vol. 32, n. 2, p. 195-222, 2001. Disponível em: < https://www.jstor.org/stable/749673>. Acesso em: 18 dez. 2024.
JUNGWIRTH, H. Interpretative Forschung in der Mathematikdidaktik– ein Überblick für Irrgäste, Teilzieher und Standvögel. Zentralblatt für Didaktik der Mathematik, v. 35, n. 5, p. 189–200, 2003. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/BF02655743. Acesso em: 18 dez. 2024.
KRAUSE, C. M. The Mathematics in our hands: how gestures contribute to constructing mathematical knowledge. Wiesbaden: Springer Spektrum, 2016.
MAGINA, S. M. P.; MERLINI, V. L.; SANTOS, A. dos. A Estrutura Multiplicativa à luz da Teoria dos Campos Conceituais: uma visão com foco na aprendizagem. In: CASTRO FILHO, J. A. de. et al. Matemática, cultura e tecnologia: perspectivas internacionais. 1.ed. Curitiba, PR: CRV, 2016.
ONUCHIC, L. D. L. R.; ALLEVATO, N. S. G. Pesquisa em Resolução de Problemas: caminhos, avanços e novas perspectivas. Bolema - Mathematics Education Bulletin, São Paulo, v. 25, n. 41, p. 73-98, 2011. Disponível em: https://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/bolema/article/view/5739. Acesso em: 19 nov. 2021.
RADFORD, L. Towards an embodied, cultural, and material conception of mathematics cognition. ZDM - Mathematics Education, Hamburg, v. 46, n. 3, p. 349-361, 2014. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs11858-014-0591-1. Acesso em: 20 nov. 2021.
ROBUTTI, O.; EDWARDS, L. D.; FERRARA, F. Enrica’s explanation: multimodality and gesture. In: TSO, T. Y. (Ed.). Proceedings of the 36st Conference of the International Group for the Psychology of Mathematics Education, vol. 4, p. 27-33. Taiwan PME, 2012. Disponível em: https://www.igpme.org/publications/current-proceedings/. Acesso em: 18 dez. 2024.
SINCLAIR, N.; HEYD-METZUYANIM, E. Learning Number with TouchCounts: The Role of Emotions and the Body in Mathematical Communication. Tech Know Learn, p. 19, 81–99, 2014.
TRAN, C.; SMITH, B.; BUSCHKUEHL, M. Support of mathematical thinking through embodied cognition: nondigital and digital approaches. Cognitive Research: Principles and Implications, n. 2, p. 1-18, 2017. Disponível em: < https://cognitiveresearchjournal.springeropen.com/articles/10.1186/s41235-017-0053-8>. Acesso em: 18 dez. 2024.
TVERSKY, B. G. Mind in motion: how action shapes thought. New York, EUA: Basic Books, 2019.
VERGNAUD, G. A criança, a matemática e a realidade: problemas do ensino de matemática na escola elementar. Tradução de M. L. F. Moro. Curitiba, PA: Ed. da UFPR, 2014.
VERGNAUD, G. Teoria dos campos conceituais. In: NASSER, L. (Ed.). Anais do 1º Seminário Internacional de Educação Matemática do Rio de Janeiro, 1993.