ENSINO DA HISTÓRIA DA ÁFRICA RELEMBRANDO A CRÍTICA DE CHEIKH ANTA DIOP
Resumo
Este artigo analisa criticamente os desafios do ensino da História da África face às configurações e instrumentalizações do poder político, resgatando as contribuições epistemológicas de Cheikh Anta Diop. Apoiada em uma abordagem teórica e metodológica de caráter histórico-bibliográfico, a investigação discute as noções de tempo, espaço e muntu (homem) em matrizes endógenas africanas, contrastando-as com a herança eurocêntrica e com as narrativas oficiais de dominação. O estudo examina a evolução desse cenário no contexto angolano, identificando a transição de um ensino politizado e marcado por silenciamentos no período pós-independência para um processo gradual de democratização curricular a partir de 2002. Conclui-se que a superação das lacunas na formação docente e a criação de espaços institucionais de salvaguarda da memória coletiva são imperativos fundamentais para consolidar um ensino emancipatório, capaz de descolonizar as estruturas mentais e assegurar a autonomia intelectual no continente.
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