Os caminhos de ressignificação do Senhor dos Caminhos no Brasil: Interlocuções entre Exu, o deus Príapo e o demônio Baphomet
Exu between the god Priapus and the demon Baphomet
Palavras-chave:
Exu; Demonização; Identidade; Colonialismo.Resumo
No processo de reconfiguração das identidades da diáspora, a análise dos intercâmbios da identidade do orixá Exu se torna relevante para compreendermos os rearranjos identitários em trânsito nas dinâmicas das relações de poder nas Américas. O diabo, nesse contexto, foi a figura central de desconstrução ideológica da tradição africana e de sincretismo com o mal. Duas representações iconográficas influenciaram o delineamento da identidade de Exu na cultura brasileira: o deus Príapo e o demônio Baphomet. No contexto dos estudos das religiões da diáspora no Brasil, o recorte proposto analisa os aspectos simbólicos envolvidos na ressignificação e na subalternização do orixá Exu tendo como referencial teórico os estudos decoloniais. Partimos da premissa de que a identificação de Exu com o diabo cristão se estabeleceu com base em aspectos morfológicos e foi forjada com base na mentalidade colonialista que hierarquizou os povos objetivando a desconstrução da religiosidade negra. Nessa perspectiva, torna-se relevante avaliar os signos relacionados à representação da demonização de Exu com a finalidade de depreender deles unidades subjetivas repletas de mensagens que associaram Exu ao mal. Consideramos as iconografias signos capazes de revelar significados, descortinado agentes simbólico-discursivos naturalizados e reproduzidos pela cultura a partir do compartilhamento de sentidos. Desse modo, propomos uma análise qualitativa, de caráter exploratório, ancorada na investigação de referenciais simbólicos e que objetiva decifrar e decodificar códigos simbólicos assimilados pelo imaginário coletivo e que atribuem o arquétipo diabólico e malévolo a Exu.
Downloads
Referências
BAUDIN, R. P. Fétichisme et Féticheurs. Lyon: Séminaire des Missions Africaines; Bureau de Missions Catholiques, 1884.
BETHENCOURT, F. O Imaginário da Magia. Feiticeiras, saludadores e nigromantes no século XVI. Lisboa: Projeto Universidade Aberta, 1987.
CAPONE, S. A Busca da África no Candomblé. Tradição e Poder no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2004.
CHEVALIER, J.; GHEERBRANT, A. Dicionário de símbolos: Mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. 24. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009.
CUMINO, A. Pombagira a deusa: mulher igual a você. São Paulo: Madras, 2019.
DAMASCENO, L. M. O navegador do entre mundos: notas sobre a multiplicidade em Exu. Revista Três Pontos, v. 11, n. 1, p. 98-106, jul. 2014. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistatrespontos/article/view/3280. Acesso em: 15 set. 2021.
FONTENELLE, A. O livro dos exus - kiumbas e eguns. 2. ed. São Paulo: Editora Eco: Rio de Janeiro: Gráfica Editora Aurora, 1967.
FORD, C. W. O Herói com rosto africano: Mitos da África. São Paulo: Selo Negro, 1999.
GOLDMAN, M. Histórias, devires e fetiches das religiões afro-brasileiras: ensaio de simetrização antropológica. Análise social, XLIV, v. 44, n. 190, p. 105-137, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.31447/AS00032573.2009190.05. Acesso em: 23 set. 2020.
LE ROY, L. E. La sorcière de Jasmin. Paris: Seuil, 1983. p. 32 - 257.
LÉVI, E. Dogma e Ritual de Alta Magia. São Paulo: Pensamento, 2005.
MEYER, M. Caminhos do imaginário no Brasil: Maria Padilha e toda sua quadrilha. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v. 1, n. 1, 1991. Disponível em: https://revista.abralic.org.br/index.php/revista/article/view/12. Acesso em: 14 maio 2019.
NOGUEIRA, L. C. Exu no “novo mundo”: o processo de hibridação cultural da
umbanda na diáspora africana. Élisée - Revista De Geografia Da UEG, v. 3, n. 1, p. 116-134, 2014. Disponível em: https://www.revista.ueg.br/index.php/elisee/article/view/2897. Acesso
em: 25 set. 2022.
OLIVA, A. As faces de Exu: representações europeias acerca da cosmologia dos orixás na África Ocidental (Séculos XIX e XX). Revista Múltipla, Brasília, n. 18, Ano X, p. 9-37, jun. 2005. Disponível em: https://institucional.upis.br/biblioteca/pdf/revistas/revista_multipla/multipla18.pdf. Acesso em: 14 maio 2019.
PARÉS, L. N. A formação do Candomblé: história e ritual da nação jeje na Bahia. Campinas, SP: Ed. UNICAMP, 2007.
PIGNARRE, P.; STENGERS, I. La sorcellerie capitaliste: pratiques de désenvoûtement. Publisher: La Découverte, 2005.
POMMEGORGE, P. de. Description de Nigritie. Amsterdam, 1789.
PRANDI, R. Segredos guardados. Orixás na alma brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
QUIJANO, A. Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina. In: LANDER, Edgardo (Ed.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciências Sociales. Perspectivas latinoamericanas. Buenos Aires: CLACSO, 2000. p. 122-151. Disponível em: http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/lander/quijano.rtf. Acesso em: 20 jan. 2019.
QUIJANO, A. Colonialidad y modernidad-racionalidad. In: BONILLO, Heraclio (Org.). Los conquistados. Bogotá: Flacso, 1992. p. 437-449.
RUFINO, L. Pedagogia das Encruzilhadas. Revista Periferia, v. 10, n. 1, p. 71-88, jan./jun. 2018. Disponível em: https://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/periferia/article/view/31504. Acesso em: 29 mar. 2022.
SANTOS, B. de S. Ciência e senso comum. In: SANTOS, Boaventura de Souza. Introdução a uma ciência pós-moderna. Rio de Janeiro: Graal, 1989.
SILVA, V. G. Neopentecostalismo e religiões afro-brasileiras: Significados do ataque aos símbolos da herança religiosa africana no Brasil contemporâneo. Mana, v. 13, n. 1, abr. 2007. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-93132007000100008. Acesso em: 5 out. 2022.
SOARES, E. L. R. As vinte e uma faces de Exu na filosofia afrodescendente da Educação: Imagens, Discursos e Narrativas. 187f. 2008. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, 2008. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/3198. Acesso em: 22 maio 2021.
VERGER, P. Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns. Tradução: Carlos Eugênio Marcondes de Moura, do original de 1957. São Paulo: Edusp, 1999.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Abatirá - Revista de Ciências Humanas e Linguagens

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.Você é livre para:
Compartilhar - copia e redistribui o material em qualquer meio ou formato; Adapte - remixe, transforme e construa a partir do material para qualquer propósito, mesmo comercialmente. Esta licença é aceitável para Obras Culturais Livres. O licenciante não pode revogar essas liberdades, desde que você siga os termos da licença.
Sob os seguintes termos:
Atribuição - você deve dar o crédito apropriado, fornecer um link para a licença e indicar se alguma alteração foi feita. Você pode fazer isso de qualquer maneira razoável, mas não de uma forma que sugira que você ou seu uso seja aprovado pelo licenciante.
Não há restrições adicionais - Você não pode aplicar termos legais ou medidas tecnológicas que restrinjam legalmente outros para fazer qualquer uso permitido pela licença.

