Ensino de espanhol (ELE/ELA) para estudantes surdos

práticas pedagógicas mediadas pela Libras com foco na categoria verbo em perspectiva contrastiva

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35499/tl.v20i1.28651

Resumo

Este estudo analisa o ensino de espanhol como língua estrangeira/adicional (ELE/ELA) para estudantes surdos, considerando suas especificidades linguísticas no contexto educacional brasileiro. Parte-se da compreensão de que a Libras constitui a língua materna (L1), o português a segunda língua (L2) e o espanhol uma língua adicional (L3). Como foco didático-pedagógico, foi selecionada a categoria gramatical verbo, devido à sua relevância na organização da sentença e na construção de sentidos, especialmente na expressão de ações, estados, tempo e aspecto. A pesquisa, de abordagem qualitativa, baseia-se em aulas ministradas em ambiente virtual por meio da plataforma Microsoft Teams. As estratégias pedagógicas envolveram recursos visuais, vídeos, comparação entre línguas e valorização da Libras como língua de mediação e construção do conhecimento. Foram trabalhados, de forma contrastiva, os verbos “beber”, “comer”, “estudar”, “ir” e “trabalhar”. Os resultados evidenciam que abordagens visuais e bilíngues favorecem a compreensão e o uso inicial dos verbos em espanhol, ainda que persistam interferências da Libras e do português. Tais práticas ampliam a participação, a autonomia e o uso funcional da língua adicional. Conclui-se que o ensino de espanhol para surdos requer metodologias acessíveis, sensíveis às especificidades linguísticas e alinhadas à educação bilíngue e inclusiva.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

João Lipe Nogueira Reis , Universidade de Brasília - UnB

Mestrando em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB). Possui graduação em Educação Física (Bacharelado) pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL), graduação em Letras Libras (Licenciatura) pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) e Licenciatura em Educação Física pelo Instituto Pedagógico Brasileiro (IPB). Pós-graduando em Personal Training pelo Instituto Pedagógico Brasileiro (IPB).Membro do Projeto de Pesquisa Núcleo VARLIBRAS da UnB, do Grupo de Estudos em Linguística da Libras (GEPLIBRAS/CNPq/UnB) e do Grupo de Estudos e Pesquisa em Saúde em Libras (GEPSLIBRAS/CNPq/UnB). Bolsista de pós-graduação no CNPq.

Luciane Ferreira Bomfim, UNEB

Professora de Libras e do AEE/Surdez pela Prefeitura Municipal de São Francisco do Conde. Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão e Tecnologias Aplicadas à Educação (GESTEC/UNEB). Possui especialização em Libras, Atendimento Educacional Especializado (AEE) e Educação de Surdos em Espaços Escolares, além de graduação em Pedagogia. Atua na área da Educação com ênfase em Educação Inclusiva, com experiência na formação de professores e no ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para surdos. Tutora do AEE pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) e pesquisadora dos grupos TIPEMSE (Tecnologias, Inovação Pedagógica e Mobilização Social pela Educação/UNEB), EDUCID (Educação, Inclusão e Diversidade/UNEB) e do projeto de pesquisa Entre Vistas (UFBA). Suas principais publicações abordam temas relacionados à formação docente, inclusão, surdez e ensino de Língua Portuguesa como L2 para Surdos.

Gláucio Castro Júnior , Universidade de Brasília - UnB

Professor do Magistério Superior do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas - LIP do Instituto de Letras - IL da Universidade de Brasília - UnB. Mestre e Doutor em Linguística. Coordenador do Laboratório Núcleo de Estudo e Pesquisa da Variação Linguística da Libras (Laboratório Núcleo Varlibras) da Universidade de Brasília - UnB. Líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Linguística da Libras - GEPLIBRAS (CNPq/UnB), líder do Grupo de Estudo e Pesquisa da Saúde em Libras – GEPSLIBRAS.

Daniela Prometi, Universidade de Brasília - UnB

Professora do Magistério Superior do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas – LIP do Instituto de Letras - IL da Universidade de Brasília - UnB. Licenciada em Letras-Libras, Mestre e Doutora em Linguística pela Universidade de Brasília - UnB. Vice-líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Linguística da Libras - GEPLIBRAS (CNPq/UnB). Pesquisadora do grupo de pesquisa Grupo de Estudo e Pesquisa da Saúde em Libras – GEPSLIBRAS. Vice-coordenadora do Laboratório Núcleo de Estudo e Pesquisa da Variação Linguística da Libras (Laboratório Núcleo Varlibras) da Universidade de Brasília - UnB.

Referências

AVELAR, J. O. de. Saberes gramaticais: formas, normas e sentidos no espaço escolar. 1. ed. São Paulo: Parábola, 2017.

BENTO, N. Decolonialidade e surdez. In: LANDULFO, C.; MATOS, M. (orgs.). Suleando conceitos em linguagens: decolonialidades e epistemologias outras. Campinas: Pontes Editora, 2022, p. 103-109.

BRASIL. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 25 abr. 2002.

BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei nº 10.436/2002. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 23 dez. 2005.

BRASIL. Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília, DF: Presidência da República, 2017. Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: 25 mar. 2026.

CASTILHO, Ataliba T. de. ELIAS, Vanda Maria. Pequena gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2012.

CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do português contemporâneo. Rio de janeiro: Lexikon, 2017.

FARIA-NASCIMENTO, S. P. de; CORREIA, M. Um olhar sobre a morfologia dos gestos. Lisboa: UCP, 2011.

FIGUEREDO, C. J. O ensino de espanhol para Surdos: uma proposta de letramento visual. Revista X, Curitiba, v. 12, n. 1, p. 45–63, 2017.

GOMES, A. S. (Org.). Línguas em trânsito: ensino, formação e internacionalização. Salvador: Editora UNEB, 2022.

HALLE, M.; MARANTZ, A. Distributed Morphology and the Pieces of Inflection. In: HALE, K.; KEYSER, S. J. (Eds.). The View from Building 20: Essays in Linguistics in Honor of Sylvain Bromberger. Cambridge, MA: MIT Press, 1993. p. 111–176.

INSTITUTO CERVANTES. Plan Curricular del Instituto Cervantes. Madrid: Instituto Cervantes, 2006.

LACERDA, C. B. F. de. Intérprete de Libras em atuação na educação infantil e no ensino fundamental. Porto Alegre: Mediação, 2009.

LEFFA, V. J. Ensino de línguas estrangeiras: passado, presente e futuro. Pelotas: EDUCAT, 2016.

MAK, J. K. W. Formação de verbos manuais na Libras. 2021. Dissertação (Mestrado em Linguística). Universidade Federal de São Paulo, 2021.

MOURA, M. C. de. O Surdo: caminhos para uma nova identidade. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.

QUADROS, R. M. de. Educação de Surdos: a aquisição da linguagem. Porto Alegre: Artmed, 1997.

QUADROS, R. M. de; STUMPF, M. R. Letramento e escrita de sinais. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.

SÁNCHEZ, A. B. La enseñanza de español como lengua extranjera a personas sordas. Madrid: Edinumen, 2012.

SKLIAR, C. (Org.). A surdez: um olhar sobre a diferença. Porto Alegre: Mediação, 1998.

SOUSA, D. V. C.; SILVEIRA, E. L. O ensino de língua estrangeira para surdos: contribuições para formação acadêmica, profissional, social e cultural. In: Interfaces científicas - Educação, 2016, Aracaju, n. 1, v. 6, p. 69-80,. Disponível em: https://doi.org/10.17564/2316-3828.2016v5n1p69-80 . Acesso em: 11 abr. 2026.

STROBEL, K. L. As imagens do outro sobre a cultura surda. 3. ed. Florianópolis: UFSC, 2008.

SUPALLA, T. The classifier system in American Sign Language. In: CRAIG, C. (Ed.). Typological studies in language: noun classes and categorization. Amsterdam; Philadelphia: John Benjamins, 1986. p. 181–214.

UNESCO. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: CORDE, 1994.

XAVIER, A.; NEVES, S. Descrição de aspectos morfológicos da LIBRAS. Revista Sinalizar, v. 1, n. 2, p. 130–151, 2016.

Downloads

Publicado

2026-08-05

Como Citar

NOGUEIRA REIS , J. L.; FERREIRA BOMFIM, L.; CASTRO JÚNIOR , G.; PROMETI, D. Ensino de espanhol (ELE/ELA) para estudantes surdos: práticas pedagógicas mediadas pela Libras com foco na categoria verbo em perspectiva contrastiva. Tabuleiro de Letras, [S. l.], v. 20, n. 1, p. 134–151, 2026. DOI: 10.35499/tl.v20i1.28651. Disponível em: http://www.revistas.uneb.br/tabuleirodeletras/article/view/28651. Acesso em: 11 set. 2026.