Santuários de Asclépio e Higeia: a arquitetura sagrada da cura na Grécia clássica

Autores

Palavras-chave:

abaton, Asclépio, Higeia, Rituais de cura

Resumo

O presente texto analisa de que maneira as inovações arquitetônicas trazidas pelo culto de Asclépio e Higeia em Epidauro tiveram um forte impacto na concepção dos santuários de cura gregos no Período Clássico. Como as curas rituais de Asclépio e Higeia ocorriam por meio de incubações, um edifício especializado em fazer os devotos adentrarem o espaço onírico foi criado, o abaton. Ao tomar as estruturas arquitetônicas como fonte, em especial o abaton, é possível compreender a complexidade dos rituais de cura, o imaginário que os envolviam, o contexto histórico em que estavam inseridos e a influência que tiveram tanto nos demais santuários de Asclépio quanto nos de outros deuses. As conclusões quanto à agência dos sacerdotes e devotos na propagação e popularização do culto, dado o estado atual das fontes, não poderiam ser feitas de outra forma que senão pela análise das estruturas arquitetônicas, o que demonstra sua importância como fontes históricas para o estudo da Antiguidade.

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Biografia do Autor

João Vinícius Gondim Feitosa, Universidade Federal de Pernambuco - Brasil

Doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Professor de História Antiga da UFPE.

Contribuição de autoria: autor.

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Publicado

28-03-2026

Como Citar

FEITOSA, J. V. G. Santuários de Asclépio e Higeia: a arquitetura sagrada da cura na Grécia clássica. Perspectivas e Diálogos: Revista de História Social e Práticas de Ensino, Caetité, v. 8, n. 16, p. 78–92, 2026. Disponível em: http://www.revistas.uneb.br/nhipe/article/view/25500. Acesso em: 6 jun. 2026.