O ESTRANGEIRO E A PRODUÇÃO DO SENTIDO: LINGUAGEM, VAZIO E ESTRUTURA SIGNIFICANTE
L’ÉTRANGER ET LA PRODUCTION DU SENS: LANGAGE, VIDE ET STRUCTURE SIGNIFIANTE
DOI:
https://doi.org/10.53500/missangas.v6i15.28168Palavras-chave:
Vazio, Desejo, Linguagem, Albert Camus, O EstrangeiroResumo
Este artigo tem como objetivo analisar O Estrangeiro, de Albert Camus, a partir da articulação entre linguagem, discurso e produção de sentido, buscando demonstrar como o romance realiza o absurdo em sua materialidade linguística. O método consiste em uma análise teórico-crítica de orientação lacaniana, fundamentada nas noções de primazia do significante, cadeia significante e falta, formuladas por Jacques Lacan, articuladas à leitura formal da obra. Os resultados indicam que o vazio de sentido não se apresenta como ausência pura, mas como efeito da organização discursiva do texto, particularmente por meio do funcionamento metonímico da linguagem, da linearidade sintática e do uso do passé composé, que produzem um efeito de presentificação e esvaziamento da significação estável. Verifica-se que a estrutura narrativa opera por um deslizamento contínuo do sentido, no qual os significantes se encadeiam sem fixação definitiva de significado. Conclui-se que a obra se configura como uma estrutura de falta que inscreve uma lógica do desejo entendida como movimento metonímico, contribuindo para a fortuna crítica ao evidenciar que o sentido não se apresenta como conteúdo estável, mas como efeito de uma cadeia significante em constante deslocamento.
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Referências
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