EDUCAÇÃO POPULAR E MOVIMENTOS SOCIAIS CONTEMPORÂNEOS: ALGUMAS NOTAS PARA REFLEXÃO

Maria Tereza Goudard Tavares

Resumo


O artigo resulta de um esforço de delimitação de um campo teórico-conceitual
que possa corporificar com alguma propriedade política e epistêmica algumas das tendências hegemônicas de Educação Popular (EP). Reconhecemos que, embora a palavra hegemonia possa estar na atualidade sob forte suspeição, o seu uso em nosso artigo não significa uma “vontade de verdade” e/ou de “poder”, e sim uma predisposição visceral para a dialogicidade, para a aventura de pensamento que, sem abrir mão do rigor e dos seus compromissos éticos e políticos, vem apostando em conexões epistêmicas mais transversais. Assim, abrindo mão de toda e qualquer tentativa de explicação mais totalizadora dos caminhos da EP na atual conjuntura educacional brasileira, afirmo que a EP é um campo teórico-prático que escolhemos trilhar, em função de escolhas políticas e ideológicas. Por isso, a EP expressa afinidades eletivas de nossas trajetórias, dado o longo convívio com o cotidiano da escola, tanto como professora de crianças, como formadora de professores(as) na Universidade.
Deste modo, embora nos preocupemos com questões mais epistemológicas da
Educação Popular, questões relacionadas à travessia da Educação Popular junto aos movimentos sociais em nosso país e na América Latina, o que nos move, nos identifica e qualifica essa nossa ação compartilhada é o “mundo da escola”.


Palavras-chave


Educação popular. Movimentos sociais. Processos formativos. Trajetórias históricas e epistêmicas da EP no Brasil.

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DOI: http://dx.doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2015.v24.n43.p%25p

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e-ISSN: 2358-0194

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