MÃOS QUE CRIAM: O BAIRRO DO JACARÉ E OS TRANÇADOS DO ARTESANATO

REBECA PALMA MENEZES, ROSÂNGELA PATRICIA DE SOUSA MOREIRA

Resumo


O bairro do Jacaré localizado na cidade de Valença, na região do Baixo Sul da Bahia, tem como atividade de destaque, o artesanato local, o qual é caracterizado pela confecção de utensílios variados através da trançagem da palha. Contudo, empiricamente, se percebe que a prática é pouco valorizada pela própria sociedade valenciana, principalmente por não haver nenhuma manifestação do poder público em alocar os artesões em espaço apropriado para divulgação dos produtos. Neste sentido, essa pesquisa tem como proposta promover a valorização do artesanato no bairro do Jacaré, como atividade de grande importância na economia local, cultural e histórica. Ao definirmos artesanato, podemos caracterizá-lo como um trabalho manual que se utiliza da matéria-prima em sua forma natural, podendo ser manifestado de maneira variada, mas sempre levando em conta a expressão do artesão de cada região, mostrando assim, a sua maneira de materialização de cada peça produzida, sendo que esse trabalho geralmente é de caráter familiar e repassando, assim, de geração em geração, por vezes, realizado em seus próprios lares. Trazendo um pouco de história, não podemos esquecer que, através da Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, o artesanato passou a ser colocado em segundo plano na sociedade, e períodos subsequentes até os reflexos de uma sociedade industrial e capitalista (a qual reserva ao trabalho manual, baixo retorno), sendo esse o maior desafio para os artesões contemporâneos, que muitas vezes dependem deste meio de produção econômica para o sustento da família. No Brasil, os índios são os artesões mais antigos, pois utilizavam a pintura natural, cestaria e cerâmica, métodos que foram transmitidos através de gerações e incorporados por outras culturas no processo de miscigenação do povo brasileiro. Essa mistura do “como fazer” se apresenta marcante nas peças produzidas pelos artesões do bairro do Jacaré, que assim como outros tipos de artesanato, ainda resiste neste mundo industrializado. Nesse sentido, serão analisadas as contribuições dessa arte para o turismo da região, bem como sua influência na economia valenciana, os procedimentos de uso e preservação dos recursos naturais do lugar, a exemplo das palhas que fazem parte do artesanato da nossa área de estudo. Contudo, devido aos aspectos envoltos pelo próprio desconhecimento do que há de cultural na cidade, poucas pessoas sabem sobre a história, a origem ou contribuições dessa arte manual, não sendo, assim, reconhecida e valorizada como deveria. Buscando enriquecer nossas discussões e para melhor embasamento do tema, a abordagem metodológica está sendo feita por meio de aplicações de questionários, realização de entrevistas e registros fotográficos, mas, sobretudo, apoiada na oralidade dos agentes envolvidos diretamente nessa investigação. As discussões dessa pesquisa estão em andamento, mas, nas impressões iniciais já ficam claras a importância cultural e econômica dessa atividade desenvolvida por famílias humildes num bairro periférico da cidade de Valença, que ao longo de gerações, construiu histórias e deixaram suas marcas registradas em artigos que ganharam diferentes destinos com os turistas que por ali passaram. Uma arte manual que ao longo dos anos, vem resignificando a maneira de olhar e perceber esse trabalho rico em seus detalhes, cheio de criatividade e saberes ímpares, expressos pelas mãos de homens e mulheres que, revelam seus valores e principalmente, suas perspectivas de vida e desejo de dias melhores através de cada trançado.

Palavras-chave


Palha; Artesanato; Cultura

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