Educação Profissional Continuada e Penalidades Disciplinares: Uma Análise da Sinalização e da Conformidade na Auditoria

Autores

  • Liliane Cristina Segura Universidade Presbiteriana Mackenzie
  • Ana Lucia Fontes de Souza Vasconcelos Universidade Federal de Pernambuco
  • Claudio Rafael Bifi Universidade Presbiteriana Mackenzie
  • Murillo José Torelli Pinto Universidade Presbiteriana Mackenzie

DOI:

https://doi.org/10.18028/rgfc.v15i1.20087

Palavras-chave:

Auditor, Educação profissional continuada, Teoria da Sinalização, Intermediários informacionais

Resumo

Este estudo investiga a relação entre o cumprimento da norma de Educação Profissional Continuada (EPC) e a qualidade do trabalho dos auditores independentes, avaliada por meio das autuações disciplinares do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRC-SP). A pesquisa adota uma abordagem quantitativa e descritiva, analisando a relação entre o cumprimento da EPC e a incidência de infrações ético-disciplinares, com base em dados do Cadastro Nacional de Auditores Independentes (CNAI) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Os resultados indicam que auditores que não atenderam às exigências da EPC tiveram uma taxa de punições três vezes maior do que aqueles que cumpriram a norma, corroborando estudos anteriores, como os de Abdolmohammadi e Sarens (2011), que encontraram associações positivas entre educação continuada e melhor desempenho profissional. Esses achados reforçam a importância da EPC na mitigação de riscos disciplinares e na valorização da auditoria como atividade essencial para a transparência e credibilidade das informações contábeis. No Brasil, a EPC é obrigatória para auditores registrados no CNAI e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), considerando seu papel como intermediários informacionais e validadores da qualidade dos relatórios financeiros, conforme evidenciado por Healey e Palepu (2001). A pesquisa contribui para o entendimento da importância da capacitação contínua na auditoria e suas implicações na governança corporativa e no mercado financeiro.

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Referências

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Publicado

12/31/2025