Fusões e Aquisições no Setor Bancário: Uma Simulação das Economias de Escala Envolvendo o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal

Autores

  • Robson Fortunato Banco do Brasil
  • Luiz Ricardo Cavalcante Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) / Consultoria Legislativa do Senado Federal

DOI:

https://doi.org/10.18028/rgfc.v15i1.19915

Palavras-chave:

Fusões e aquisições, Setor financeiro, Setor bancário, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal

Resumo

O objetivo deste trabalho é estimar as economias de escala decorrentes de uma hipotética fusão do Banco do Brasil S.A. (BB) com a Caixa Econômica Federal (CEF), cujos modelos de atuação têm se aproximado ao longo das últimas décadas. Apesar disso, o BB e a CEF mantêm uma vasta rede de atendimento que gera despesas significativas e que representa uma oportunidade de ganhos escala por meio do compartilhamento de custos fixos. A metodologia baseia-se na estimativa das economias de escala resultantes da fusão das duas instituições com base na relação entre o índice de eficiência operacional (IEO) e o ativo total usando um painel desbalanceado formado pelas principais instituições bancárias do país no período entre 2013 e 2022. Os resultados indicam economias de escala da ordem de R$ 5,88 bilhões anuais. Com base nesse valor e no custo de capital para a União, estima-se que o valor presente da fusão seria da ordem de R$ 95 bilhões. Além de estimar o custo para o país da opção de se manterem dois bancos públicos controlados pelo governo federal cujos modelos de atuação têm sido cada vez mais próximos, este exercício traz também uma contribuição de natureza metodológica: ao utilizar regressões em painel para um amplo conjunto de instituições financeiras e relacionar o ativo total com indicadores de eficiência, o método empregado pode servir de base para a avaliação de outros processos de fusões e aquisições no setor bancário.

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Publicado

12/31/2025