A RESSIGNIFICAÇÃO DOS PADRÕES ESTÉTICOS GRECO-ROMANOS NAS REDES SOCIAIS E SEUS IMPACTOS NA JUVENTUDE CONTEMPORÂNEA

Autores

  • Isa Beatriz Santos Muniz Colégio da Polícia Militar Luiz Tarquínio; Estudante do nono ano do ensino fundamental
  • Adelson Costa Colégio da Polícia Militar Luiz Tarquínio; Doutor em Educação

Palavras-chave:

Estética, Redes Sociais, Juventude

Resumo

Observa-se que, com o crescimento das plataformas de compartilhamento de imagens e vídeos, como Instagram, TikTok e outras, houve uma intensificação da valorização de determinados padrões corporais e características físicas que remontam o imaginário de beleza da Grécia clássica. Estéticas associadas a simetria, juventude, magreza ou musculatura definida, revelam uma estetização que dialoga com os conceitos de beleza idealizados pela sociedade ateniense, ainda que atualizados conforme o contexto social e tecnológico contemporâneo. Diante disso, este trabalho tem como objetivo geral analisar a ressignificação dos padrões estéticos greco-romanos na contemporaneidade, sobretudo através das redes sociais digitais. Especificamente: Pesquisar os padrões estéticos corporais que são proliferados como ideias nas redes sociais; compreender como os jovens recepcionam tais “padrões”; nessa perspectiva, ainda almejamos investigar como esse “modelo” estético/corporal valorizado nas redes sociais afeta a saúde mental de jovens. Vislumbramos em nossos estudos que há um processo histórico do ideal de beleza, nos encaminhando a uma reflexão sobre o papel do corpo como símbolo de virtude e valor moral ao longo do tempo (FOUCALT, 1985). Na antiguidade greco-romana, o corpo belo era frequentemente associado à ordem, equilíbrio e excelência moral (CHAUÍ, 1994).Com a ascensão do cristianismo durante a Idade Média, essa visão sofreu alterações significativas, sendo substituída por uma moralidade que frequentemente opunha o corpo ao espírito, considerando a carne como fonte de pecado. No entanto, mesmo com essas transformações históricas, o corpo nunca deixou de ser um espaço simbólico de disputa, vigilância e controle social. Nosso estudo ainda dialoga com as mudanças e permanências, conectando-as ao pensamento de autores clássicos como filósofo grego Platão (2003) e o poeta e filósofo alemão Friedrich Schiller (2015), cujas concepções sobre harmonia e virtude continuam a influenciar discursos sobre o corpo ideal. Também é utilizada a obra do filósofo francês Michel Foucault (1979), onde o pensador reflete como os dispositivos de poder e saber atuam na normalização de certos corpos em detrimento de outros, especialmente na sociedade da imagem em que vivemos atualmente. Como caminho metodológico nos ancoramos na Pesquisa Participante, Brandão (1981), sendo que os autores deste trabalho são interatores sociais da comunidade investigada – estudantes dos anos finais(9º ano) do Colégio da Polícia Militar da Bahia (Unidade Luiz Tarquínio) – a relevância da pesquisa estar em aclarar a responsabilidade das mídias sociais na manutenção e propagação desses modelos, discutindo os algoritmos que promovem determinados tipos de conteúdo, o papel dos influenciadores digitais e a crescente indústria da estética corporal o que leva a provocar importantes reflexões sobre o lugar do jovem nesse fenômeno das redes sociais. Foi aplicado um questionário, por meio do Google Forms, a aproximadamente 60 estudantes, com foco em suas percepções sobre os padrões estéticos divulgados nas redes e os efeitos disso em sua autoestima, saúde mental e comportamento social. Os resultados revelam dados significativos que apontam para a pressão estética vivenciada por muitos desses jovens e para o papel central das redes na normalização desses modelos corporais. Assim, este trabalho não apenas examina o retorno simbólico de uma estética antiga em um contexto moderno, mas também busca compreender as implicações éticas, sociais e psicológicas desse fenômeno sobre a juventude contemporânea. Palavras-chave: Estética. Redes Sociais. Juventude.

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Publicado

2025-10-14

Edição

Seção

Categoria II: Pesquisadores da Educação Básica