APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DO ESTUDO - FOTOPERFORMANCE: NARRATIVAS IMAGÉTICAS AUTOBIOGRÁFICAS “DE MULHERES” EM PROCESSOS FORMATIVOS

Autores

  • Lauren Oliveira Lima Instituto Baccarelli; Coordenadora de Cultura
  • José Antônio Carneiro Leão Universidade do Estado da Bahia (UNEB); Professor Pleno

Palavras-chave:

Fotoperformance, (Auto)Biografia, Narrativa imagética, Curadoria educativa

Resumo

Este estudo tem como objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa que investigou a fotoperformance como linguagem formativa e sensível em processos autobiográficos de mulheres atravessadas por marcadores de gênero, classe, etnia e deficiência. A pesquisa nasce da inquietação sobre: como os dados encontrados narram o que nos atravessa sem recorrer a categorias limitadoras e sobre como traduzir em imagem aquilo que nem sempre o silêncio sustenta? Entrelaçando arte, educação e autobiografia, a investigação partiu da trajetória da própria autora mulher neurodivergente, artista, educadora e oriunda da periferia que convidou outras 13 mulheres de diferentes contextos sociais e regiões do país a partilharem, por meio de narrativas imagéticas e outros textuais, suas histórias de vida. A metodologia trouxe a análise dos dados de um estudo realizado, de modo a tornar visíveis essas narrativas e seus atravessamentos formativos, propondo a arte como dispositivo de escuta, denúncia, autoformação e transformação. A curadoria artística e educativa foi compreendida como prática pedagógica e mediadora entre sujeito, obra e público, e culminou na criação de uma exposição virtual multimídia em realidade virtual. Como parte dos resultados, destaca-se o desenvolvimento de uma mostra interativa, em colaboração com um engenheiro de software e um web designer, a exposição oferece uma experiência imersiva em que o público interage com fotoperformances, vídeos, áudios e textos curatoriais. A avaliação do software da exposição foi realizada por meio da metodologia de Avaliação Baseada em Perspectiva, com quatro perfis de avaliadores. Os dados apontaram dez problemas de usabilidade com diferentes níveis de criticidade, sendo o mais grave a incompatibilidade com smartphones. As demais questões envolveram navegação, áudio e ajustes de interface. As avaliações contribuíram para aprimorar a experiência do público, reafirmando a proposta da pesquisa como um gesto formativo, coletivo e sensível de escuta e reexistência. Palavras-chave: Fotoperformance. (Auto)Biografia. Narrativa imagética. Curadoria educativa Entre Luz e Margem: A Introdução do Corpo que se move ao Centro da Cena A análise dos dados apresentados aqui foi baseada do estudo “FOTOPERFORMANCE: Narrativas imagéticas autobiográficas ‘de mulheres’ em processos formativos” defendido em 2024, pela autora Lauren Oliveira Lima, como história de uma mulher entrelaçada às de outras 13 mulheres que aceitaram o convite. A investigação propôs um diálogo entre arte, educação e (auto)biografia, reconhecendo, nas dobras do teatro, da performance e da fotografia, linguagens que, em relação, revelam corpos marcados por gênero, classe, etnia e deficiência, codificados por experiências culturais singulares que desafiam o ordinário, por meio da fotoperformance digital e outros textos. O problema que orientou a pesquisa parte de uma pergunta que também atravessou de forma individual e coletivamente os dados na (Auto)biografia estudada: Como podem ser apresentadas as narrativas (auto)biográficas e/ou imagéticas de mulheres em processo formativo? Desta forma, este estudo aqui proposto tem como objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa que investigou a fotoperformance como linguagem formativa e sensível em processos (auto)biográficos de mulheres atravessadas por marcadores de gênero, classe, etnia e deficiência. Sendo assim, parte agora da seguinte questão delimitada: como os dados encontrados narram o que nos atravessam sem recorrer a categorias limitadoras e sobre como traduzir em imagem aquilo que nem sempre o silêncio sustenta? A escolha de investigação por meio da fotoperformance digital não se deu apenas por uma questão de gênero. Trata-se de uma linguagem híbrida, crítica e libertadora, capaz de construir espaços formativos onde o sensível é convocado como matéria prima da produção de conhecimento do individual no coletivo e do coletivo no individual. Inspirada nas reflexões de Marie-Christine Josso (2004), Lima (2024), defende que narrar memórias implica reconhecer nelas elementos simbólicos constitutivos da autoformação. As chamadas “recordações-referências” articulam dimensões concretas, ancoradas em percepções e imagens sociais, e dimensões invisíveis, marcadas por emoções, valores e sentidos. Essas experiências, segundo Josso (2004), são formadoras porque funcionam como marcos existenciais e referências mobilizadoras, capazes de orientar escolhas e ressignificar vivências. Ao narrar-se a partir dessas lembranças, o indivíduo ativa reflexões antropológicas, ontológicas e axiológicas sobre si e sobre o mundo. A produção das imagens, a escuta das vozes e a criação da exposição multimídia tensionam o campo da educação e das artes, abrindo espaço para outros modos de conhecer e intervir no mundo contemporâneo. Nesse sentido, Lima (2024, p. 15), se inspira em Milton Santos (2003, p.62): quando nos alerta que “[...] o mundo do tempo real busca uma homogeneização empobrecedora e limitada, enquanto o universo do cotidiano é o mundo da heterogeneidade criadora”. Assim, o que se apresenta neste resumo expandido são os resultados da pesquisa "Fotoperformance: Narrativas Imagéticas (Auto)biográficas de Mulheres em Processos Formativos". Um estudo que propôs uma insurgência estética e política: um espaço de escuta ampliada onde a arte se transforma em cura, denúncia e reinvenção coletiva. Trilhas Metodológicas: Entre Vidas, Memórias e Fotoperformances A abordagem é qualitativa, com ênfase nas metodologias de pesquisa participante, (auto)biográfica e na produção de narrativas de histórias de vida. Na perspectiva da pesquisa participante, Carlos Rodrigues Brandão e Maristela Correa Borges (2007), propõe que a relação entre educador e participantes se transforme em uma interação sujeito-sujeito, reconhecendo que todo indivíduo e cultura é fonte legítima de saber. A pesquisa realizada que se fundamentou no método (auto)biográfico na perspectiva da pesquisa-formação, com base nas contribuições de Josso (2004), Delory-Momberger (2008) Passeggi e Souza (2017) ao reconhecerem nas histórias de vida um potencial formativo, foi capaz de revelar a complexidade da experiência humana e a importância da temporalidade na constituição da identidade. Neste estudo sistematizado, os dados foram analisados com o objetivo de tornar visíveis as narrativas e seus atravessamentos formativos, reconhecendo a arte como dispositivo de escuta, denúncia, autoformação e transformação coletiva. A investigação se articulou a uma curadoria educativa de inspiração crítica e sensível, tendo como corpus as experiências de 14 mulheres de distintos contextos sociais e subjetivos, com as quais a autora se conectou por meio de entrevistas, vivências e práticas criativas mediadas pela imagem. Narrar-se com o Corpo: Resultados de uma Escuta Sensível Os resultados revelam trajetos de corpos mascarados e performados, captados por uma câmera que transcende a performance cotidiana. Das imagens emergem sentidos profundos que entrelaçam memória, identidade e crítica social. Entre os principais achados, destacam-se: A fotoperformance como espelho e janela refletindo a própria história da pesquisadora ao mesmo tempo em que contribuiu para a visibilidade das narrativas de outras mulheres. Por meio da fotografia, Delory-Momberger se apoia em François Jullien (2013), propondo que o “afloramento da forma que conduz à imagem é feito através do meio fotográfico, que representa um terceiro, um entre” (2020, p. 129). Isso nutre lugares secretos onde guardamos memórias e emoções, como luto, tristeza, raiva, saudade, lembranças felizes, e laços de amor e amizade, moldando nossa subjetividade. Esses lugares secretos também são nutridos pelas experiências de outras pessoas e pelo mundo ao nosso redor, transformando essas fronteiras em descobertas significativas sobre nós mesmos a partir do encontro com o outro; Corpografias e afetos como processo de escuta: Os relatos fotobiográficos evidenciaram as marcas do capacitismo, da misoginia, do racismo e da desigualdade social que atravessam a formação das mulheres participantes. Curadoria artística e educativa como prática formativa: Ela ultrapassou o papel técnico de seleção de obras e se revelou enquanto prática pedagógica, mediando os sentidos entre sujeito e obra, promovendo reflexão crítica e construção coletiva de significados, como Ana Mae Barbosa (2014), nos aponta tal direção; Produção de uma exposição virtual multimídia em realidade virtual: como produto desenvolvido, em colaboração com um engenheiro de software e um web designer, como uma mostra interativa em realidade virtual no qual os visitantes se tornam coautores da obra ao interagir com elementos visuais e sonoros, ampliando o alcance formativo e sensível da experiência artístico pedagógica. Ele encontra-se disponível pelo link: https://linktr.ee/exposicaoquemulhereessa. Num ambiente com diferentes linguagens artísticas das fotoperformances, videoperformances, relatos em áudio e textos curatoriais que dialogaram diretamente com os dados e experiências vivenciados ao longo da pesquisa. Para facilitar a navegação, o percurso contou com botões interativos orientados pela personagem-guia Fuinha, como parte de uma proposta de curadoria educativa que, conforme destacado por Diniz e Lage (2021), teve como objetivo ampliar a fruição e promover a aproximação entre o público, as obras e os processos formativos envolvidos. Para avaliar o software desenvolvido para a exposição virtual, foi adotada a metodologia de Avaliação Baseada em Perspectiva, conforme proposta por Josemeire Dias (2021), adaptada à realidade da pesquisa. Foram definidos quatro perfis de avaliadores: participador/a, arte-educador/a desenvolvedor/a e curador/a, cada um representando uma perspectiva específica sobre a experiência expositiva. A avaliação foi realizada de forma anônima por meio de um formulário online, no qual os participantes registraram os problemas identificados e atribuíram níveis de criticidade. Ao todo, foram apontados dezproblemas distintos: um de alta criticidade ao identificar a incompatibilidade da exposição com smartphones, que travou e fechou o aplicativo; cinco de média criticidade, incluindo dificuldades de navegação, som baixo em algumas áreas, travessia indevida do corpo virtual além de paredes e movimentação limitada; e três de baixa criticidade, como erro de digitação e ajustes na interface. Embora a maioria dos problemas não tenha sido impeditiva, os resultados destacaram a importância de realizar correções, especialmente nos pontos mais críticos, para garantir uma experiência mais fluida, acessível e satisfatória ao público.

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Publicado

2025-10-14

Edição

Seção

Categoria I: Pesquisadores Acadêmicos